Não mantenho nem permaneço
Pois apenas amo o que esqueço
E só o inalcançável me seduz
Mas quando o agarro e mereço
Só isso chega para angustia e cruz...
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Larsen B

Larsen Bê. Larsen Bê…
Quis como Camus e o pai e o filho Dumas
Fui como um qualquer, Sartre na TV
Não deixei saudades nenhumas…
Ai sei lá se existo
Se sinto-me desterrado em Monte-Cristo
Venha uma dama de Camélias
Tirar-me a Náusea do absurdo do Sísifo…
Subitamente:
Desintegrei-me no meu próprio sonho
Vivendo além do integro suspiro de consciência
Vigorava no meu olhar um horizonte de latência
Aos teus olhos, meu mar, o que eu vejo proponho.
Não mais me encontrei,
De tão duro ser parecia impossível desintegrar-me
Mas tristemente constatei
Que este mundo jamais irá encontrar-me.
Pois fui embora extasiado
Viram-me de olhos vítreos afogar-me hipnotizado
No duro ser que eu incorporava
E tornar-me naquilo que ninguém sonhava.
Pura água. Apenas água.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
A casa que ama
A criança chegou a homem simples
Com a sua glória desinfinita
Sem se estender na casa onde ainda habita.
A glória de sonhar sucumbe-o.
O olhar com que ele abraça o espaço
Deixa o sol de sombras arrebatado
E tudo parece padecer de cinza e frio aço
Por entre o carnal e intempestivo malogrado
Que agora se vê de volta a casa na sua morte,
Subiu ao norte.
Morreu hoje. O homem que nunca saiu daquela casa.
Com a sua glória desinfinita
Sem se estender na casa onde ainda habita.
A glória de sonhar sucumbe-o.
O olhar com que ele abraça o espaço
Deixa o sol de sombras arrebatado
E tudo parece padecer de cinza e frio aço
Por entre o carnal e intempestivo malogrado
Que agora se vê de volta a casa na sua morte,
Subiu ao norte.
Morreu hoje. O homem que nunca saiu daquela casa.
domingo, 4 de setembro de 2011
Mundo de contradição, valores morais e hipócritas:
Últimos versos XI
Estou fascinado com a quantidade de irresponsáveis
Que brotam por entre as pedras
Todos os dias.
Aqui nada se aprende.
Estou irremediavelmente assustado
Com os incompetentes que vão um dia
Desgovernar ainda mais esta desgraça.
Ando a tentar compreender o porquê da Maria fútil
E do Zé inútil.
Ando para desistir de me revoltar
Perante a meritocracia corrompida,
O senhor cunha e as latas de graxa.
Não compreendo o porquê mais básico.
A tal essência humana.
Estou insatisfeito sem solução.
Algo correu mal nesta evolução.
E quando penso que o mundo estará de pernas para o ar
Oiço muitos dos que conheço
E apetece-me de facto não ouvi-los nunca mais.
Estou fascinado com a quantidade de irresponsáveis
Que brotam por entre as pedras
Todos os dias.
Aqui nada se aprende.
Estou irremediavelmente assustado
Com os incompetentes que vão um dia
Desgovernar ainda mais esta desgraça.
Ando a tentar compreender o porquê da Maria fútil
E do Zé inútil.
Ando para desistir de me revoltar
Perante a meritocracia corrompida,
O senhor cunha e as latas de graxa.
Não compreendo o porquê mais básico.
A tal essência humana.
Estou insatisfeito sem solução.
Algo correu mal nesta evolução.
E quando penso que o mundo estará de pernas para o ar
Oiço muitos dos que conheço
E apetece-me de facto não ouvi-los nunca mais.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Rumores para o homem sem mais respostas
Rural é o silêncio desta madrugada...
Promete desastres na embalagem desta trovoada
Os cães já há muito estão calados
Assegura-se um mistério
Vejo os clarões iluminarem como se fosse dia
Ali mais abaixo sobre o cemitério
Os pinhos agitam-se aterrorizados sob nuvens rápidas
Perante o trovão que rasga e que parte
Como se desabasse a Serra do Homem de Pedra ali à frente
A aldeia está deserta. Não há gente.
Os morcegos esbarram contra as paredes da casa
Já todos estão recolhidos no seu regaço
Mas eu aguardo aqui no terraço
Vejo a chuva chegar sobre uma tempestade seca
Molha-me violentamente como um rumor de inverno
Gelada
Consistente.
A água ainda me faz vacilar,
O vento responde e empurra-me.
Nenhum deles pode conduzir-me a lado nenhum.
Promete desastres na embalagem desta trovoada
Os cães já há muito estão calados
Assegura-se um mistério
Vejo os clarões iluminarem como se fosse dia
Ali mais abaixo sobre o cemitério
Os pinhos agitam-se aterrorizados sob nuvens rápidas
Perante o trovão que rasga e que parte
Como se desabasse a Serra do Homem de Pedra ali à frente
A aldeia está deserta. Não há gente.
Os morcegos esbarram contra as paredes da casa
Já todos estão recolhidos no seu regaço
Mas eu aguardo aqui no terraço
Vejo a chuva chegar sobre uma tempestade seca
Molha-me violentamente como um rumor de inverno
Gelada
Consistente.
A água ainda me faz vacilar,
O vento responde e empurra-me.
Nenhum deles pode conduzir-me a lado nenhum.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Últimos Versos XVI
Nisto aqui que não é nada:
Neste sonho que não cessa,
Nesta imensa culpa submersa.
Neste asco de vida.
O pesadelo perfuma-se
De nojo e de luto na alma vencida…
Neste tempo que não conta
Há valor que não nota
Noutro valor que não emerge
Neste mundo que não importa
Há seres que não vivem
E pedras que se afundam na areia
Neste viver desnecessário
Nesta razão inexistente
Sobrevive a mudez da palavra
E o silêncio de quem morre calado.
Neste sonho que não cessa,
Nesta imensa culpa submersa.
Neste asco de vida.
O pesadelo perfuma-se
De nojo e de luto na alma vencida…
Neste tempo que não conta
Há valor que não nota
Noutro valor que não emerge
Neste mundo que não importa
Há seres que não vivem
E pedras que se afundam na areia
Neste viver desnecessário
Nesta razão inexistente
Sobrevive a mudez da palavra
E o silêncio de quem morre calado.
domingo, 14 de agosto de 2011
A porta
Aos 47 hei-de fechar o coração
Já serei velho e menos crente ainda
Mesmo que à minha maneira
A chave ficará encravada no canhão
E nunca mais ninguém entrará
Enfim, vai ser assim
Aos 47 tranco a porta
Não entrará nem mulher linda nem homem amigo
Nem mais família que nem todos são meus primos
E acaba-se a porta aberta
Estará na hora da vida mais esperta
E fecho a porta e pronto
Nem bom dia aos vizinhos
Um olá aos padrinhos
Mas…
Coração aberto só p’ós irmãos e p’ós meus pais
E fecho a porta. Aos que já saíram e sairão, não voltem
Entrem até aos 47 se quiserem
Mas depois não voltem mais.
Já serei velho e menos crente ainda
Mesmo que à minha maneira
A chave ficará encravada no canhão
E nunca mais ninguém entrará
Enfim, vai ser assim
Aos 47 tranco a porta
Não entrará nem mulher linda nem homem amigo
Nem mais família que nem todos são meus primos
E acaba-se a porta aberta
Estará na hora da vida mais esperta
E fecho a porta e pronto
Nem bom dia aos vizinhos
Um olá aos padrinhos
Mas…
Coração aberto só p’ós irmãos e p’ós meus pais
E fecho a porta. Aos que já saíram e sairão, não voltem
Entrem até aos 47 se quiserem
Mas depois não voltem mais.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Horto de Paixão
Ainda vou ter de subtrair-te da fotografia
Que eu deixei espalhada
Pela sala da ilusão
Na peça de teatro a tua roupa está fria
Estás de novo como actriz falhada
Numa novela da televisão.
Ainda vou procurar o âmago do teu perfume
Quando o encontrar hei-de o destruir
Perdoa-me mulher neste amor ao meu ciúme
Estava apenas a tentar cativar-te para te instruir.
Não sei mais se vale a pena a questão do amor e da ilusão
Duas chamas eternas assombram a casa
Uma quer ficar mas a outra não.
Ainda vou ter de subtrair-te da fotografia
Que eu deixei espalhada
Pela sala da ilusão
Na peça de teatro a tua roupa está fria
Estás de novo como actriz falhada
Numa novela da televisão.
Ainda vou procurar o âmago do teu perfume
Quando o encontrar hei-de o destruir
Perdoa-me mulher neste amor ao meu ciúme
Estava apenas a tentar cativar-te para te instruir.
Não sei mais se vale a pena a questão do amor e da ilusão
Duas chamas eternas assombram a casa
Uma quer ficar mas a outra não.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Bens Essenciais
Todos querem ser salvos.
Tenho tudo o que preciso
Muito mais ainda me sobeja
Por isso não voltarei àquela igreja
Onde muitos outros perdem o juízo
Essa conversa de milagres e de fé
Deixa um gajo enjoado
Que por muitas voltas que não dê
Acaba sobre o vomitado.
Não preciso nem de deus nem da aurora
Eu ando aqui a curtir a vida
Até que um dia irei embora
Não preciso nem de fé nem de espírito santo
A minha alma está limpa
Lavo-a com a paixão e o meu canto.
segunda-feira, 30 de maio de 2011

Imo das orelhas uma vez mais para ser mais são
Águas negras.
Águas negras.
Sou como um riacho que desce rapidamente
Isto faz de mim mais transparente
Por ser pouco profundo.
E encaro no fim quando bato nas aras do açude
Um sonho evasivo mas eloquente
Para que me altere este mundo
E para que o mundo eu mude.
Mas o açude afoga-me as tenções da corrente
Numa calmaria negra e profunda
E as minhas ideias vogam na vaga latente
Onde uma maior égide superficial abunda.
sábado, 1 de janeiro de 2011

Agora
Dou comigo sobre o eternamente pensando
Ouvindo rumores do passado distante
Murmúrios de um tempo e de um quando
Que está vivo e que acredito ser pensante.
Dou comigo a pensar sobre o irreversível
E tudo assim mesmo me parece
O que já passou não deixa de ser invisível
Para quem de tudo teimosamente não se esquece.
Dou-me agora mesmo ao futuro
Entregando a alma sobre o balanço
Na manhã primeira do silêncio puro
Caminho pouco e já me canso.
Espero que o mundo me encante novamente.
Dou comigo pensando sobre o eternamente…
domingo, 19 de dezembro de 2010

Tempo
Tudo pertence ao tempo
E ao seu tempo tudo deixa de pertencer
Quanto tempo dura este tempo
E quantas horas para me arrepender?
Pois o tempo que me ensinou a memória
E a memória que me ensinou a nostalgia
Calmaram a minha senda de vitória
E o meu tempo passou de um ano a um dia
Tudo pertence aos relógios, às clepsidras da vida
Cada ponteiro esgueirado pela Terra vigora
Em pensamentos sem solução nem saída.
Vulgarizo-me então nesta mesma hora.
Também pertenço ao tempo
E na memória, embalo o meu lamento.

Este mundo
Desarmam-me as poucas coisas que amo
De resto é tudo muro, silêncio e fachada
Um pleonasmo ou outro,
Falta-me tudo quando não me falta nada.
Escuto o fino soar do tempo que segue num sentido só
E só me encontro no desencontro de um amar
Por amar apenas um só momento
Sem piedade, sem compaixão, sem dó
Compete-nos continuar
A amar com a certeza do crescimento
Deste ténue e frio fermento
Que me projecta sobre a solidão dos sós
Na rua sobra-me pouco
Confundem-me com um não louco
E desconfiam de mim e do meu desgosto por nós
Tudo é saudade.
Tudo é triste.
Tudo é tu e eu.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Carta número 99 - devolvida
Meu amor:
Quero que saibas que já dissequei o sistema límbico
E abandonei o vício de padecer de emoção
Num torpor sísmico
Agarrei-me à vida e disse NÃO.
Ainda espero pela tua resposta que tarda em brotar
Sei que não és como a carneirada habitual
Hás-de tardar em me revelar a tua graça salutar
E eu hei-de esperar de pedra e cal.
Mas por vezes a dúvida flagela os meus sentidos
E por momentos que só eu sei serem breves
Cai sobre mim a emoção com tanta força que me estalam os ouvidos
Não me temas como temeste ao abominável homem das neves
Dá-me um sinal.
Recebe esta carta e não digas mais nos correios que mudaste de região
Estás plantada no inerme e desfalecido patriotismo original
E todo o chão que tu pisas é a minha religião.
terça-feira, 19 de outubro de 2010

As histórias tristes
Eu gostava de ouvir as histórias tristes
E perceber que os outros também sofriam
Compreender que eles também sabiam
Que eu também tinha histórias tristes
Eu gostava de saber das tristezas
Investigando-as, estabelecia formas de as evitar
Mas sempre perseguido pelas incertezas
Acabei muitas histórias a chorar
Eu que gostava de histórias sem final feliz
Hoje não tenho paciência para nenhum queixume
Tantas montanhas de tristeza sem cume
Que me fizeram querer aquilo que nunca quis
Que foi querer gostar de histórias contentes
E fazer por ouvir e por contar histórias diferentes
Que nunca passaram de estórias sem pejo
Mais uma carrada de mentiras e um beijo… de boa noite.
sábado, 2 de outubro de 2010

Auto-conceito
Meu amor
Eu valho pouco
Mais cinzento pareço
Como uma erva daninha em flor
No meu sentimento rouco
Que de te amar estremeço
Não fosses perfeita
E eu pareceria menos mal
Mas meu amor
Já nada me ajeita
Nem mesmo a máscara que me deste pelo carnaval
E nenhum beijo teu me sublima esta dor
De ser tão horrível como sou
Tão perecível que me remói
Ao encontro da sombra mais negra e fria
Meu amor por onde eu vou
Nenhuma dor minha te dói
Quando eu sou esta carcaça vazia.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Visão de divisão

Estado de não ser
Gosto de fazer de conta que sei
E eu sei que nada enfim domino
Apesar de dar passos de rei
Por entre o gatinhar de um menino
Acredito que desconfio de tudo o que não noto
Notoriamente me julgo corpóreo no vazio
E ainda mais me ilumino num sonhado topo
Apesar de estar agónico no fundo de um rio.
Sorrio com a força de quem quer rebolar em pranto
E pranteiam-se as faces que me escoltam na vida
Quando me emulsiono sem nenhum encanto
Por entre as ilusões das entradas sem saída
Eu sou pálido por querer e sou difícil de entender
Mais me faço ainda notar por entre a náusea triste
Que eu quero mais é desnascer
Por entre a minha ânsia de abarcar o que não existe
Mesmo assim, sou um hipócrita tamanho
No meu redor turbulento, melancólico e castanho
E não quero um reinício nem um desnascer
Eu almejo a suprema vitória. Eu ambiciono desaparecer.
sábado, 31 de julho de 2010

Auto de Niilismo
O bálsamo da minha coerência sabotada pela razão
Estremece na culpa que no vulto me é um não
Que me nega estridente sem me remeter sequer à surdina
Nem sequer me salva da opinião de quem demasiado opina.
Espanto a solidão com gritos que espantam os pardais
Dirigidos sobre os ventos, as marés contrárias e os mais selvagens animais
E de resto, afundo-me na ignorância furtiva que me mata sem dó
E no silêncio que me mata desde o nascer até ao meu pó.
Oiço no fim os silêncios do mundo agarrado ao meu ninguém
Que aperto no colo que mesmo quente, treme de temores
Sonhando com o meu amor, o meu bem-querer e o meu bem
Fecho os olhos entorpecidos por todos os meus sonhados horrores
Que se os abrir sei que não vou ver nada nem ser algum
Pensei ter rumo na vida mas sigo em frente sem nenhum.
O bálsamo da minha coerência sabotada pela razão
Estremece na culpa que no vulto me é um não
Que me nega estridente sem me remeter sequer à surdina
Nem sequer me salva da opinião de quem demasiado opina.
Espanto a solidão com gritos que espantam os pardais
Dirigidos sobre os ventos, as marés contrárias e os mais selvagens animais
E de resto, afundo-me na ignorância furtiva que me mata sem dó
E no silêncio que me mata desde o nascer até ao meu pó.
Oiço no fim os silêncios do mundo agarrado ao meu ninguém
Que aperto no colo que mesmo quente, treme de temores
Sonhando com o meu amor, o meu bem-querer e o meu bem
Fecho os olhos entorpecidos por todos os meus sonhados horrores
Que se os abrir sei que não vou ver nada nem ser algum
Pensei ter rumo na vida mas sigo em frente sem nenhum.
terça-feira, 25 de maio de 2010

Sete finalmente e mais um
Todos os sete pecados mais a melancolia
Com o Tomás de Aquino e o Evágrio do Ponto
Eles negaram-me a amena razão de pecar em euforia
Que eu queria mentir com a mentira de nunca mentir
Esconderam-me da sabedoria e da revelação
E eu lancei-me estulto e mágico sobre o alçapão
Pecado mortal gritou. Capital reforçou.
Para mal dos meus pecados, a corda quebrou.
Hoje, agreste é a consciencialização da culpa sem cura
Nenhuma paz ou sublimação nem sequer nenhuma loucura
Me podem aliviar, paliar a sombra divina de um deus morto
Que de azul me entrego, integro no antro corporal absorto
Que é a minha forma distinta de me ocupar
Por entre as dúvidas capitais de um mundo singular
Onde caveiras negras alucinam as ruas da cidade
Que conspurco com a minha simples presença e a saudade
O meu maior erro é a melancolia
Que essa eu não sabia ser pecado. Eu não sabia.
Pareço um verme espezinhado no chão
Inerme, desfeito, odiado, sem salvação.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Gagarejar é indelicado

Abjecto luminar
Náuseas vãs inundam colos silenciosos
Superficiais são os outros que se protegem
Entidade paternal inventada pelos invejosos
Que por não saberem nadar não imergem
Criam-se citações facilmente
De boa vontade ou com interesse
De coisas belas inversamente
Queixa-se o povo: este e esse.
Ao contrário, hasteado o semblante aborrecido
Num balanço etéreo da alma e da cruz
Foi morto lá noutro mundo desvanecido
Havia bosta no chão que não era reclamada pelos cus.
Agora vejo com mínima vontade
Que ninguém aqui quer construção colectiva
Sobeja enfim a abstracção repetitiva
Dos que se dizem fazer e ser bondade.
É fácil demais falar do passado com um sorriso
E cuspir no copo onde bebemos o hoje em dia
Mais união é que era preciso
Afinal o colectivo é feminino e eu que não o sabia.
Quanto mais desiludido melhor
Sonhar não é preciso. Necessário é encontrar
Encontrar cada bocado de dor
Enaltecer cada dia e cada luar…
Mas trovoadas calam as paredes
Garantem os outros que se protegem
Já presos nas imundas redes
Morrem. Nunca mais emergem.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Doenças de plástico
O plástico das nossas vidas não pode ser reciclado
Ele está como a farsa, inerente na vida
E a mitose do pensamento é a misericórdia do pecado
Pois no bem ou no mal, é tudo filosofia embevecida
Dai-me mais dores de plástico para a compaixão minha
Vos encher os olhos de blandícias somente
Mulheres da vida perdida e da história coitadinha
Para que eu na vossa doença me veja menos doente
Pois irão doer-me até os botões da camisa
Se me vir como o mais adoentado moribundo
Por entre o semblante tísico das carpas fedorentas do Tamisa
Serei mais doente, mais demente, mais imundo.
Revelai-me todas as dores de plástico que predilectam
As falsas e as mesquinhas, as infantis e as apelativas
Quero carpir dentro de vós os ais que me execram
Por entre os demais suspiros de deixas paliativas.
O plástico das nossas vidas não pode ser reciclado
Ele está como a farsa, inerente na vida
E a mitose do pensamento é a misericórdia do pecado
Pois no bem ou no mal, é tudo filosofia embevecida
Dai-me mais dores de plástico para a compaixão minha
Vos encher os olhos de blandícias somente
Mulheres da vida perdida e da história coitadinha
Para que eu na vossa doença me veja menos doente
Pois irão doer-me até os botões da camisa
Se me vir como o mais adoentado moribundo
Por entre o semblante tísico das carpas fedorentas do Tamisa
Serei mais doente, mais demente, mais imundo.
Revelai-me todas as dores de plástico que predilectam
As falsas e as mesquinhas, as infantis e as apelativas
Quero carpir dentro de vós os ais que me execram
Por entre os demais suspiros de deixas paliativas.
sábado, 24 de abril de 2010
Dernier Cri
(Viver rápido), morrer jovem
Estarei destinado aos mais altos voos
Se asas minhas forem audazes
E no sino dobrado rimarem mordazes
Os rumores assassinos da minha senda.
Estarei esquecido dos erros repetidos
E das oportunidades desperdiçadas
Se o mundo me inebriar de vícios antigos
Na minha comunhão com os meus nadas.
Estarei prepotente, arrogante convencido
Se esquecer o sorriso da minha mãe e os abraços dos amigos
E na minha total ignorância colectar amizades interesseiras
E fazer delas confidentes e minhas totais companheiras.
Estarei enternecido pelo corpo invejado de uma musa qualquer
Quando ignorar a verdadeira beleza de uma mulher
Fecharei os olhos e verei mais do que se os abrir
Viverei falsamente, no pensar e no sentir.
Estarei acelerado se detiver comigo dinheiro e bebida
Um automóvel com mais de duzentos cavalos e a respectiva chave
E estarei pronto para morrer e abandonar esta vida
Que estarei a maltratar no meu mais hediondo auto-entrave.
Estarei destinado aos mais altos voos
Se asas minhas forem audazes
E no sino dobrado rimarem mordazes
Os rumores assassinos da minha senda.
Estarei esquecido dos erros repetidos
E das oportunidades desperdiçadas
Se o mundo me inebriar de vícios antigos
Na minha comunhão com os meus nadas.
Estarei prepotente, arrogante convencido
Se esquecer o sorriso da minha mãe e os abraços dos amigos
E na minha total ignorância colectar amizades interesseiras
E fazer delas confidentes e minhas totais companheiras.
Estarei enternecido pelo corpo invejado de uma musa qualquer
Quando ignorar a verdadeira beleza de uma mulher
Fecharei os olhos e verei mais do que se os abrir
Viverei falsamente, no pensar e no sentir.
Estarei acelerado se detiver comigo dinheiro e bebida
Um automóvel com mais de duzentos cavalos e a respectiva chave
E estarei pronto para morrer e abandonar esta vida
Que estarei a maltratar no meu mais hediondo auto-entrave.
domingo, 11 de abril de 2010
D'outras cousas mais e a pureza
Pueril
Foi uma criança de sonhos e esperança
Que desconhecia que era infantil
Foi essa criança que brotou na vida sem lembrança
Num reforço do sorriso pueril
Foi uma criança que o tempo fez mudar
Para por mil anos continuar a debater-se sobre o senil
Foi uma criança crescer sem parar
Para envelhecer triste e vil
Foi uma criança cheia de esperança e feliz
Outrora sábia criança que já não sabe o que diz
Foi uma criança que deixou de ser pequena
Foi uma criança que de nove viu novena
Até foi uma criança que se deteve acima do percentil
Agora, já sem esperança
Desenvolvida sobre uma consciência pueril.
Foi uma criança de sonhos e esperança
Que desconhecia que era infantil
Foi essa criança que brotou na vida sem lembrança
Num reforço do sorriso pueril
Foi uma criança que o tempo fez mudar
Para por mil anos continuar a debater-se sobre o senil
Foi uma criança crescer sem parar
Para envelhecer triste e vil
Foi uma criança cheia de esperança e feliz
Outrora sábia criança que já não sabe o que diz
Foi uma criança que deixou de ser pequena
Foi uma criança que de nove viu novena
Até foi uma criança que se deteve acima do percentil
Agora, já sem esperança
Desenvolvida sobre uma consciência pueril.
quarta-feira, 17 de março de 2010

Encanto de uma vida vilã e da insegurança
Sou aquilo que pareço
Sabem disso aqueles que privam comigo
Possuo mais do que mereço
Penso mais do que digo
Consomem-me culpas já perdoadas
Nem todas minhas. Ainda as cativo
O rancor é o canto das minhas alvoradas
Quando adormeço com o arrependimento de estar vivo
Tenho armas capazes de destruir a graça da vida
Munido de um dito calibre fogoso
Tenho as chaves com que tranco a última saída
Isolo-me do mundo que penso ser perigoso
Não me percorre nem orgulho nem revolta nem nobreza
Agora sou um conformista, destruído na vida
Qualquer sinal de engano é a minha realeza
Qualquer fim do mundo meu é a minha descida
Sonho com a ilha Gough, o monte Roraima e o heroísmo
E imagino-me neles sem ninguém ao meu lado
Não é por tristeza, é por egoísmo
Tenho prazer em começar onde acabo
E a arrogância é-me somente rumor
Nenhum talento em mim vigora
Inábil no afecto e no amor
Entrego-me a ninguém em nenhuma hora
Não por receio, é por egoísmo profundo
Que me ilude e não me deixa ver o meu receio imundo
Que bate tão no fundo como sangue que me aviva
Que é de medos e coragens que se me faz a pose altiva.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Fevereiro eternamente

Por teres desaparecido
Ando à espera de que algo mude o mundo
Quando me passeio pela rua e ninguém nota
E quando me imagino lá no fundo
Regresso à casa próxima e fecho a porta.
São passeios curtos, de mãos vazias
Passos inseguros da minha sombra clandestina
Desço as escadas comendo os degraus de utopias
Que firmei no teu nome que me assombra
Estou louco. Em torno da vida desespero
E regresso sempre antes de chegar ao portão
Costumo aliás, deixar a porta aberta
Pois no meu saber reconhecer mais sincero
Sei que prefiro abraçar a minha solidão
Quando a tua campa me desperta.
domingo, 21 de fevereiro de 2010

Venenosa
Mataste-me com o teu sorriso de alma perdida
Por entre os escombros do teu passado
Puxaste-me o tapete que me meteu o chão na boca
Que sequiosa apenas me permitia lamentar a vida;
Agora levanto-me do encantamento apaixonado
Consciente de que és completamente louca.
Tento purgar o teu veneno impregnado no meu olhar
Como fumo negro que me afastou da atmosfera normal
Exilado na campa da morte dos meus sentimentos
Mas estás tatuada na minha língua convidada a murchar
Todo o meu reliquiário da guerra do meu bem com o teu mal
Querer que me torna imbecil na ânsia de te dominar os medos.
Hei-de calar-me para sempre se tu não vieres amantizar-me
Hei-de desistir de desistir se não vieres mostrar-me solução
Para os meus desencontros imediatos contigo
E se não vieres, hei-de calar-me
E cativar nas minhas tripas à tua paixão
Mesmo que ainda me queiras como amigo.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Criptonauta vil

Relógio
Perdi tempo a argumentar
Na tentativa de obter justificação superior
Explicação sem pudor
Frontalidade dura de enfrentar
Perdi muito tempo a concretizar o impossível
E a idealizar com distinção reservas de opinião
Que resvalam e tombam na ilha do verosímil
Aonde alcança nenhum barco ou camião
Perdi tempo a abrir a porta
E a atravessá-la para me esbater em tons de sol
A soleira estava torta
E só me sobrou a chuva que acalmou um caracol
Que depois pisei distraído
Pisei tempo convencido
De que ainda havia mais para dar
Perdi tempo que eu não tinha compreendido
Ser estranho além da minha ampulheta rudimentar.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Revisão

Poema Além-berço
Pretendo alcançar um novo caminho
Altivo, astuto. Alterno passagens.
E passam-me o passaporte do rumo sem carimbo
De todos os itinerários das minhas viagens
Penso ser mais fácil se me arrastar o vento de um cachimbo
Que fumo, estulto. Eu sei duma terra mais imensa
Eu conheço um lugar mais que superior.
Onde correm ventos da lira propensa
Aos sons dum trovador
Que se silencia para lá das serras, dos penedos
No cachimbo que se apaga com a dor
De uma paz que se envolve no acanhamento e nos medos.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O amor requer agilidade
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A minha ignomínia reunificada
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